Evânio Amaral
Diretor Comercial e Marketing
Mercado, relacionamento e crescimento.
Lidera as estratégias Comercial e de Marketing da SAFOL, conectando mercado, marca, clientes e oportunidades para impulsionar o crescimento do negócio.
O consumidor descobre um produto no Instagram, pesquisa o preço no site, tira uma dúvida pelo WhatsApp, compra pelo aplicativo e retira algumas horas depois na loja física. Para ele, essa é uma única experiência. Pouco importa quantos sistemas, departamentos ou canais participaram do percurso.
A expectativa é encontrar informações consistentes e transitar entre os ambientes sem precisar recomeçar do zero a cada troca. É justamente essa continuidade que está por trás do omnichannel no varejo, que vai muito além de estar presente em vários canais: o objetivo é conectá-los.
Nesse cenário, loja física e digital deixam de ser universos independentes. Estoque, atendimento, comunicação, vendas, retirada e troca precisam conversar entre si. E isso muda o papel do ponto de venda, que não desaparece com o crescimento do digital. Pelo contrário, ele assume novas funções dentro da jornada, o que torna a arquitetura comercial e seu impacto no PDV ainda mais decisiva.
A seguir, você entende o que é omnichannel, vê exemplos práticos da estratégia e descobre como preparar a loja para um consumidor que já não separa a experiência entre online e offline.
Omnichannel no varejo é a estratégia que integra diferentes canais de venda e relacionamento para oferecer ao consumidor uma experiência contínua entre os ambientes físico e digital. Na prática, significa permitir que o cliente comece a jornada em um canal e continue em outro com o mínimo de atrito.
Algumas situações ilustram bem esse funcionamento:
A palavra central não é quantidade de canais. É integração. Ter loja, e-commerce, aplicativo e redes sociais não torna uma empresa omnichannel automaticamente. Se cada ambiente trabalha isolado, o consumidor continua encontrando várias operações diferentes em vez de uma única marca.
Não exatamente, e essa distinção ajuda a entender a estratégia. No modelo multicanal, a empresa disponibiliza diferentes formas de interação e compra, como loja física, site, marketplace e atendimento por WhatsApp. Esses canais, porém, podem funcionar de maneira relativamente independente.
Imagine duas empresas. A primeira tem site e loja física, mas um produto exibido como disponível online não pode ser retirado na unidade, e o vendedor não consegue consultar o pedido feito no e-commerce. A segunda permite consultar disponibilidade, comprar online, retirar na loja e manter o histórico acessível durante o atendimento.
As duas têm canais físicos e digitais. Só a segunda tem continuidade entre eles. Multicanal é presença, omnichannel é integração.
O comportamento de compra deixou de ser linear, e os números explicam por quê. Segundo o módulo de Tecnologia da Informação da PNAD Contínua do IBGE, 90,5% da população brasileira com 10 anos ou mais usou internet em 2025, o equivalente a 168,7 milhões de pessoas. Entre esses usuários, 52,7% fizeram compras online, alta de 4,8 pontos percentuais em um ano.
O acesso também deixou de ser barreira. A mesma pesquisa do IBGE aponta internet em 95% dos domicílios brasileiros e celular em 97,4% deles, o maior patamar da série histórica. Todo cliente entra na loja com um canal digital no bolso.
Isso faz a divisão tradicional entre cliente da loja e cliente do e-commerce perder sentido. É o mesmo consumidor, e o que muda é o canal escolhido em cada momento da jornada. Antes de entrar na loja ele pesquisa produtos, compara preços e lê avaliações. Depois de sair, pode concluir a compra pelo celular.
Categorias diferentes produzem comportamentos diferentes. Uma pessoa pesquisa um eletrodoméstico durante dias antes de decidir, enquanto no supermercado usa o digital apenas para planejar e passa na loja para retirar. Entender os diferentes tipos de consumidores que frequentam o negócio é o que impede a empresa de copiar uma fórmula pronta. A estratégia precisa seguir a jornada real do seu público.
Uma experiência integrada depende de várias engrenagens girando nos bastidores. O cliente não precisa conhecer essa complexidade, apenas perceber que funciona. Quatro pilares sustentam a estrutura.
Se o consumidor precisa fornecer as mesmas informações toda vez que troca de canal, existe ruptura na experiência. Cadastro, pedidos, atendimento e histórico de relacionamento precisam conversar entre si, sempre conforme a estratégia da empresa e respeitando as regras aplicáveis de proteção de dados.
Essa integração também melhora a leitura da jornada. A empresa deixa de enxergar uma venda no site e uma compra na loja como eventos separados e passa a identificar interações que fazem parte do mesmo relacionamento. Um cliente deixa de virar dois números.
O estoque é o ponto mais sensível de uma operação omnichannel. Imagine que o site informe disponibilidade de um produto em determinada loja. O cliente compra, escolhe retirar e, ao chegar, descobre que a mercadoria não está lá. A promessa digital foi quebrada por um problema físico.
Por isso, a qualidade da informação de estoque é o que sustenta serviços como retirada na loja e consulta de disponibilidade. Organização e endereçamento também entram nessa conta, porque a equipe precisa localizar rapidamente o que foi vendido digitalmente. Reduzir ruptura é tão estratégico aqui quanto no atendimento presencial, e vale revisar como funciona a reposição de produto no varejo antes de prometer disponibilidade online.
WhatsApp, telefone, chat, redes sociais e balcão podem participar da mesma jornada. Sempre que possível, o cliente não deveria precisar explicar o problema inteiro de novo a cada troca de canal. Repetir a história é o atrito mais irritante da jornada. Processos e informações precisam permitir continuidade no atendimento.
Trocas, devoluções, retirada e pagamento precisam ter regras claras. Uma das maiores fontes de atrito aparece quando o consumidor recebe respostas completamente diferentes dependendo do canal usado.
Isso não significa que todas as condições precisem ser idênticas, já que canais têm particularidades comerciais e legais legítimas. As diferenças precisam ser transparentes, não descobertas pelo cliente no balcão.
É comum associar omnichannel principalmente à tecnologia. Ela é essencial, mas não resolve tudo. Uma operação pode ter excelentes sistemas e ainda entregar uma experiência fragmentada se os processos e a loja física não estiverem preparados.
Pense no clique e retire. No sistema, a funcionalidade parece simples: o cliente compra, a loja recebe o pedido, o produto é separado e o consumidor retira. No mundo físico, porém, surgem perguntas que nenhum software responde:
Uma funcionalidade digital vira rapidamente uma questão de layout. É exatamente aí que a loja física ganha nova importância dentro da estratégia.
No varejo omnichannel, o ponto de venda deixa de ser apenas o lugar onde a transação acontece e passa a cumprir várias funções simultâneas.
Muitos consumidores pesquisam online, mas querem ver, tocar ou experimentar antes de decidir. Nesses casos, a loja funciona como extensão da experiência iniciada no digital, o que torna exposição, iluminação, circulação e organização ainda mais relevantes.
O cliente talvez já saiba exatamente o que procura quando entra. A loja precisa ajudá-lo a encontrar rapidamente e, ao mesmo tempo, permitir que ele descubra outras soluções. É um equilíbrio que depende diretamente do mobiliário: os tipos de gôndolas escolhidos e a forma como os expositores são posicionados definem o que o consumidor enxerga primeiro.
O estabelecimento passa a receber consumidores que já concluíram a compra. Nesse fluxo, velocidade e conveniência são tudo. Uma retirada complicada anula a vantagem que motivou a escolha. Dependendo do volume de pedidos, vale prever uma área específica para atendimento e armazenamento temporário.
A loja também recebe produtos comprados digitalmente. Isso exige processos claros e uma área capaz de atender sem comprometer a operação normal de vendas. Bem conduzida, uma troca vira nova oportunidade de relacionamento em vez de custo.
Dependendo da estratégia, lojas participam da preparação e expedição de pedidos, aproximando-se do modelo de dark store. Nesse cenário, estoque, áreas de apoio e circulação operacional precisam ser reavaliados. O PDV omnichannel atende mais de uma jornada ao mesmo tempo.
A estratégia fica mais concreta quando observamos situações práticas do dia a dia.
Também conhecido como click and collect, permite finalizar a compra digitalmente e buscar o produto na unidade física. Para o consumidor, existe a conveniência de escolher quando retirar. Para o varejista, a experiência depende de estoque preciso, separação rápida e processo de entrega organizado.
O cliente pesquisa características, preço e disponibilidade antes de visitar a loja. Aqui a informação digital precisa corresponder ao que ele vai encontrar fisicamente. Site que promete e loja que não entrega destrói a integração.
Nem toda visita ao PDV precisa terminar com o consumidor carregando o produto. Em operações com itens grandes ou estoque distribuído, ele escolhe presencialmente e recebe depois, o que libera a loja para expor em vez de estocar.
Imagine que a loja não tenha determinada cor ou tamanho naquele momento. Em vez de perder a venda, o vendedor consulta outros estoques ou canais e conduz o pedido conforme as possibilidades da empresa. O estoque daquela unidade deixa de ser o limite da venda.
O cliente conversa presencialmente com a equipe e depois recebe informações por um canal digital autorizado. O relacionamento não termina quando ele sai pela porta. Operações que já vendem por aplicativos de entrega conhecem bem essa lógica, e quem quer entender o modelo pode começar por como vender pelo iFood.
Supermercados têm características especialmente favoráveis à estratégia, porque a frequência de compra é alta e a conveniência pesa muito na decisão. As possibilidades incluem compra pelo site ou aplicativo, retirada na unidade, entrega, programas de fidelidade integrados, ofertas personalizadas e relacionamento digital contínuo.
A operação física, porém, precisa acompanhar. Uma loja que passa a receber dezenas de pedidos de retirada por hora provavelmente vai precisar rever áreas de separação e entrega. Funcionário fazendo picking não pode virar obstáculo no corredor.
O layout precisa equilibrar o cliente presencial e a operação digital ao mesmo tempo, e isso começa pela lógica de organização da loja. Uma boa setorização de supermercado acelera tanto a compra do consumidor quanto a separação feita pela equipe.
Farmácias têm potencial de integração igualmente alto. O consumidor consulta produtos online, verifica disponibilidade, faz o pedido e escolhe entre retirada e entrega conforme os serviços oferecidos.
Existe ainda um fator que intensifica tudo: parte relevante das compras em farmácia envolve urgência. Quando há pressa, qualquer atrito na retirada custa a venda. Ao mesmo tempo, o ambiente físico continua cumprindo funções de exposição, atendimento e relacionamento, e saber como organizar os medicamentos na farmácia é o que permite separar um pedido em minutos.
O digital não elimina a loja. Ele modifica as razões pelas quais diferentes consumidores chegam até ela.
Não, mas pode mudar a função e o dimensionamento dessa área. Parte dos consumidores continuará fazendo compras tradicionais, outros chegarão apenas para retirar pedidos, e alguns usarão jornadas híbridas ou novas tecnologias de pagamento.
Por isso o varejista precisa observar o comportamento real da operação antes de mexer radicalmente no layout. Entender o que é o check stand e como ele se comporta em diferentes fluxos ajuda a dimensionar a área com base em dado, não em suposição.
Um bom planejamento precisa permitir evolução. Mobiliário modular e projetos adaptáveis facilitam mudanças conforme novos serviços são incorporados ao PDV, evitando obra a cada ajuste de estratégia.
A transformação não começa derrubando paredes. Começa mapeando jornadas. Quem entra para comprar normalmente? Quem chega apenas para retirar? Onde ficam os pedidos separados? Como funcionam as trocas? A equipe precisa circular entre estoque e área de vendas? Existem novos equipamentos no atendimento?
A partir dessas respostas, cinco elementos merecem atenção:
O ponto de partida costuma ser o desenho da circulação. Revisar o layout no varejo antes de instalar novos serviços evita gargalos que aparecem só depois, quando já há pedido acumulado no balcão.
Muito. A diferença é que o valor dela não pode ser medido apenas pelas vendas concluídas no caixa.
Imagine um consumidor que visita a loja, experimenta um produto e compra pelo aplicativo naquela noite. Qual canal realizou a venda? Tecnicamente o pedido aparece como digital, mas a loja participou da decisão. O contrário também acontece: alguém pesquisa online durante dias e finaliza presencialmente, e o digital participou daquela conversão.
Os números reforçam essa permanência. O Ranking ABRAS 2026 aponta 439.728 lojas de autosserviço no Brasil, crescimento de 3,6% em um ano. O varejo físico não encolheu com a digitalização. Ele mudou de função.
A grande virada do omnichannel é abandonar a ideia de que físico e digital disputam o mesmo cliente. Eles trabalham juntos, e a experiência de compra do cliente no PDV é o que costura os dois.
Bem implementada, a estratégia reduz atritos e amplia a liberdade de escolha. Para o consumidor, as vantagens principais são conveniência e continuidade. Para o varejista, as oportunidades são mais concretas:
O omnichannel também permite que cada canal faça aquilo que faz melhor. O digital facilita pesquisa e conveniência, o físico oferece contato, experiência imediata e interação humana. A integração soma forças em vez de dividir orçamento.
A implementação exige muito mais do que lançar um e-commerce. Os obstáculos aparecem em integração tecnológica, qualidade dos dados, gestão de estoque, treinamento, padronização de processos e adaptação da estrutura física.
Existe ainda um efeito colateral pouco comentado: promessa omnichannel aumenta expectativa. Se a empresa anuncia retirada em duas horas, precisa de processo capaz de cumprir o prazo. Se permite consultar estoque online, a informação precisa ser confiável. Se aceita determinado fluxo de troca, a equipe inteira precisa conhecê-lo.
Daí vem a regra mais importante da estratégia: não ofereça conveniência digital que a operação física não sustenta.
Empresas não precisam implementar todas as possibilidades ao mesmo tempo. Começar por uma jornada de alto valor costuma ser mais eficiente e menos arriscado:
Essa abordagem evita criar uma operação complexa antes de validar o básico.
A estratégia precisa ser medida, e os indicadores variam conforme as funcionalidades implementadas. Os mais úteis costumam ser:
O objetivo não é acumular métricas. É descobrir se a integração realmente melhorou a jornada.
É a estratégia que integra canais físicos e digitais para proporcionar uma experiência contínua ao consumidor. Uma jornada pode começar no site, continuar pelo WhatsApp e terminar na loja física, sem que o cliente precise recomeçar a cada troca de canal.
No multicanal a empresa está presente em diferentes canais, que funcionam de forma independente. No omnichannel esses canais são integrados para permitir continuidade da experiência. Ter loja física e e-commerce não significa automaticamente ser omnichannel.
Comprar pelo site e retirar na loja física é o exemplo mais comum. Para ser uma experiência realmente integrada, estoque, pedido, separação e atendimento precisam funcionar de forma coordenada.
Sim. A estratégia não exige operação gigantesca nem dezenas de canais. Uma empresa pode começar conectando poucas jornadas relevantes, como atendimento digital, consulta de estoque e retirada física, conforme sua capacidade operacional.
Não. A loja assume novas funções, como experiência, retirada, troca, atendimento e apoio aos pedidos digitais. O varejo omnichannel integra o PDV à jornada digital em vez de substituí-lo.
Mapeando as jornadas que passam pela loja e ajustando layout, área de retirada, estoque de apoio, exposição e checkout para que fluxos de clientes e de operação digital não compitam pelo mesmo espaço.
Durante muito tempo a transformação digital foi apresentada como disputa. De um lado a loja, do outro o e-commerce. O comportamento do consumidor mostrou uma realidade mais complexa: as pessoas transitam entre canais conforme a conveniência do momento. Pesquisam online e compram presencialmente. Experimentam na loja e compram depois pelo celular. Pedem pelo aplicativo e retiram no estabelecimento.
Omnichannel no varejo não significa digitalizar tudo. Significa eliminar barreiras desnecessárias entre os canais. Nesse cenário, a loja física continua extremamente relevante, mas o projeto dela precisa acompanhar a evolução da jornada.
Áreas de retirada, exposição, estoque, circulação e checkout assumem novas funções conforme físico e digital se aproximam. O desafio deixa de ser decidir qual canal vence e passa a ser fazer todos trabalharem juntos, o que devolve a discussão para o terreno da arquitetura comercial aplicada ao PDV.
À medida que a jornada de compra se transforma, o espaço físico também precisa evoluir. A SAFOL desenvolve gôndolas, checkouts, displays e soluções de mobiliário comercial para diferentes segmentos do varejo, criando ambientes organizados e adaptados às necessidades da operação.
Se a sua empresa está modernizando a loja, incorporando novas jornadas de atendimento ou preparando o PDV para os próximos anos, o planejamento do espaço faz parte dessa transformação.
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Evânio Amaral
Diretor Comercial e Marketing
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23 de setembro de 2026
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